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Você não tem problema de mídia. Tem problema de marca.

Uma carta sobre tráfego pago, custo de aquisição e o que de fato move CPL

por Roberto Lourenço
#brandview#branding#brandcare
15 minAgo, 2026
Imagem de capa do insight Você não tem problema de mídia. Tem problema de marca.

Há uns oito ou nove meses comecei a perceber que a mesma frase aparecia em conversas com fundadores muito diferentes entre si. Empresas em estágios distintos, mercados sem nada em comum, modelos de negócio quase opostos. Mas a frase era basicamente igual.

"A gente fez tudo que era pra fazer e o custo não para de subir."

Não estavam falando exatamente do mesmo problema. Mas de tráfego pago, sim. Custo por lead subindo, retorno sobre investimento achatando, atribuição cada vez mais difícil de defender pro CFO. A reação variava de empresa pra empresa. Alguns trocaram de gestor de tráfego, outros trocaram de agência, refizeram criativos, refinaram público, ajustaram lance. Fizeram tudo o que tinha pra fazer no nível tático, e o resultado de curto prazo apareceu, durou uns dois meses, e o problema voltou um pouco maior.

Comecei a anotar essas conversas porque o padrão deixou de parecer coincidência. Esse texto é o que saiu dessas anotações.

Vou ser direto sobre quem é o leitor que tenho em mente. É um fundador de empresa entre R$5M e R$50M de faturamento, crescimento principalmente apoiado em mídia paga, time de marketing montado mais ou menos no improviso, com a sensação crescente de que cada real investido vira menos resultado do que virava 18 meses atrás. Se essa descrição não bate, vai discordar de partes do que vem. Tudo bem.

Pra quem se reconheceu, vamos.

O que está mudando?

A primeira coisa que vale separar é que mídia paga não está parando de funcionar. Vou repetir isso porque a manchete oposta vende fácil. Mídia paga continua sendo um dos canais de aquisição mais eficientes que já existiu. Comprar atenção pontual de um público específico funciona bem e segue valendo muito a pena pra muita coisa.

O que está acontecendo é algo diferente. Pra muito negócio, mídia paga parou de escalar. Você chegou no ponto em que cada novo real investido entrega um pedaço menor de retorno do que o anterior. É um fenômeno de mercado conhecido, chama retorno marginal decrescente, e acelera quando o leilão de mídia fica mais competitivo.

Os números são públicos e estão quase todos na mesma direção. O custo por clique médio do Google Ads no Brasil subiu cerca de 13% em 2024, com vários setores acima de 20%. A Meta anunciou que vai reajustar o preço de anúncios no Brasil em 12,15% a partir de 2026, oficialmente como repasse da reforma tributária. Na prática, você paga mais, independente de quem fica com o dinheiro. Um levantamento da Triple Whale, com mais de US$3 bilhões em mídia da Meta analisada, mostrou que o custo por mil impressões subiu, em 2025, entre 8% e 38% no ano, dependendo do setor.

Essa curva não vai voltar.

Por que isso está acontecendo agora, com tanta gente ao mesmo tempo, é o que importa entender, porque a explicação muda completamente o que faz sentido fazer a seguir.

Mídia paga, no início de qualquer plataforma, é arbitragem. Você compra atenção barata e vende algo mais caro, com margem ampla. Quando o leilão amadurece, todos os concorrentes encontram a mesma plataforma, otimizam pelos mesmos sinais, miram público parecido com mensagem parecida. A diferença entre uma campanha competente e a outra encolhe. O que era arbitragem vira commodity.

Nesse cenário, quem ainda tem custo de aquisição estável tem em comum uma coisa que não está nas configurações de campanha. Tem demanda existindo fora do leilão. Pessoas que buscam pelo nome da empresa direto, gente que volta ao site sem clicar em anúncio, indicação espontânea, alguém que ouviu falar antes de precisar comprar. Esse fluxo paralelo é o que comprime o custo de aquisição e dá fôlego pra mídia paga continuar performando.

Quem não tem esse fluxo paga o leilão inteiro, sempre. E o leilão fica mais caro a cada trimestre.

Tem um exercício de dois minutos que eu costumo pedir nas primeiras conversas com fundadores. Abre o Google Trends, digita o nome da própria empresa, compara os últimos 24 meses. Se a curva está flat ou caindo enquanto seu investimento em mídia subiu, sua demanda é praticamente toda induzida por mídia paga. Você está pagando o leilão cheio. Faz isso hoje, antes de ler o resto.

A maioria dos fundadores que reconhece esse diagnóstico chega na próxima conclusão lógica. Pensa "então preciso construir marca". E aí a conversa costuma se perder.

Construir marca não é o que a maioria pensa. Não tem a ver com fazer rebranding, mudar o logo ou contratar designer melhor pra refinar o visual da campanha. Essas coisas podem fazer parte, mas isoladas não constroem demanda espontânea e não movem custo de aquisição. Eu trabalho com isso há mais de uma década e ainda vejo essa confusão acontecer toda semana, então não é vergonha confundir. Mas vale corrigir antes de gastar.

O que constrói marca?

Marca, no sentido que importa pra economia da empresa, é a soma de associações estáveis que existem na cabeça do mercado sobre o seu negócio antes de qualquer interação comercial. É o que faz alguém ouvir o nome da sua empresa e ter uma reação imediata de confiança, especialização, relevância. Ou de indiferença. Essas associações são construídas, ou destruídas, por decisões cotidianas sobre como a empresa se apresenta, o que diz, o que recusa dizer, com quem se associa, qual padrão de execução mantém em cada ponto de contato.

A pesquisa mais robusta do mundo sobre alocação de mídia, feita por Les Binet e Peter Field para o IPA britânico ao longo de quase trinta anos, analisou perto de mil estudos de caso premiados e identificou que o mix de mídia mais lucrativo no longo prazo é aproximadamente 60% em construção de marca e 40% em ativação de curto prazo. Quem fica em 100% performance constrói receita rápida no início e custo de aquisição inflacionário no fim. É exatamente o que o seu CFO está te mostrando agora.

Então o que constrói marca? Aqui chega o ponto que essa carta veio fazer.

Marca é construída por decisões cotidianas com critério. Como o time chama o produto novo, qual tom usa quando o cliente reclama no Instagram, se patrocina aquele evento ou recusa, qual cliente exibe como caso, qual palavra escolhe pro anúncio, se aceita aquela parceria ou não, o que mostra primeiro no site, qual fornecedor descarta, como assina o e-mail de fim de ano. Essas decisões acontecem todos os dias. Não escolher é uma escolha. Escolher por inércia é também.

Empresas entre R$5M e R$50M que crescem por mídia paga têm uma característica organizacional bem específica. Têm gestor de tráfego, têm social media, têm redator de campanha. Em alguns casos têm um líder de marketing júnior que veio do operacional de mídia.

O gargalo real

O resultado prático é que aquelas decisões cotidianas são tomadas mesmo assim, porque a empresa funciona. Mas tomadas por pessoas diferentes, com critérios diferentes, sem ninguém costurando o todo. No conjunto, essas escolhas inconsistentes viram percepção inconsistente. E percepção inconsistente é o motivo direto da sua marca não conseguir produzir associação estável na cabeça do mercado. Sem associação estável, não tem busca espontânea daqui a dois anos. Sem busca espontânea, não tem alívio no leilão.

É o gargalo que produz o sintoma

A reação natural pra isso, quando o fundador finalmente nomeia o problema, é querer contratar um diretor de marketing sênior em CLT. Faz sentido pela lógica, mas raramente fecha conta no estágio.

O Guia Salarial 2026 da Robert Half coloca o salário-base de diretor de marketing de empresa de porte médio entre R$24 mil e R$34 mil. Com encargos, benefícios, bônus e participação, o custo total fica entre R$45 mil e R$65 mil mensais. Some quatro a seis meses pra encontrar e contratar uma pessoa boa, mais 12 a 18 meses até essa pessoa estar realmente performando dentro da realidade da sua empresa. A conta começa a fechar acima de uns R$80M de faturamento, e mesmo lá com risco real de troca antes de gerar resultado.

A outra reação é contratar agência. Agência resolve projeto. Faz o branding, entrega o brandbook, sai. Em três meses o brandbook está numa pasta no Drive, ninguém abre, e as decisões cotidianas continuam sendo tomadas pelo mesmo time sem orientação contínua. Em seis, a inconsistência voltou pelo mesmo motivo de antes.

O caminho que faz sentido

Tem um terceiro caminho, raro no Brasil, mas é o que faz mais sentido pra esse estágio. É o acompanhamento estratégico contínuo de marca sem vínculo trabalhista. Acesso a alguém sênior que está dentro do dia a dia da empresa, participa das reuniões que importam, revisa decisões antes de virarem material, audita o que terceiros produzem, mantém o método. Custa uma fração do que custa um diretor sênior em CLT. A gente chama esse formato internamente de Brand Advisor. Não é o ponto dessa carta vender isso. É só nomear o caminho. Quem se reconheceu até aqui vai descobrir sozinho qual formato faz sentido pra empresa.

O ponto que me importa mais é o erro que vem antes de qualquer um desses caminhos.

A maioria dos fundadores que chega nesse diagnóstico erra o próximo passo. Sai contratando branding, advisor, ou agência, sem antes mapear com calma o que de fato precisa. Algumas empresas precisam refazer a fundação inteira da marca. Outras têm fundação razoável mas sem governança. Tem ainda as que precisam só de uma camada de método em cima do que já existe. O movimento certo depende do diagnóstico, e diagnóstico de marca não cabe numa primeira reunião comercial gratuita de 30 minutos. Quem te disser que cabe, está vendendo, não diagnosticando.

Foi pra isso que a gente criou o Brand View.

Brand View é uma imersão estratégica que mapeia, em três a quatro semanas, o estado real da sua marca, o gargalo principal, e o movimento mais eficiente pra resolver. Você sai com um documento direcional claro, sem compromisso de seguir com a Setesete depois. Se decidir seguir, o valor é creditado integralmente em qualquer projeto que a gente fizer junto.

A oferta é simples porque o problema antes dela é caro. Gastar um valor alto num branding que não precisava ser feito agora. Contratar advisor sem ter base. Fazer mais campanha em cima de uma fundação que segue inconsistente. Brand View existe pra impedir esses três erros, que eu tenho visto se repetirem desde que comecei a fazer esse trabalho.

Sobre o autor

Roberto Lourenço

Diretor Comercial da Setesete

Diretor Comercial da Setesete. Responsável pela saúde financeira e pela estrutura operacional que sustenta o crescimento da empresa.

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