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Posicionamento de marca: o erro de querer todos os clientes

Querer todo mundo como cliente parece ambição, mas corrói margem e posicionamento. Entenda por que escolher com quem falar sustenta o seu preço.

5 minJun, 2026
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Querer todo mundo como cliente derruba a sua margem porque uma marca que fala com qualquer pessoa não dá a ninguém um motivo claro para escolher você. Quando a comunicação tenta caber em todo perfil, ela perde nitidez, vira intercambiável e passa a competir só por preço. Posicionamento de marca é a decisão de com quem você fala primeiro, e é ela que define quanto você consegue cobrar.

A frase "todo mundo pode ser nosso cliente" parece generosa. Mercado maior, nenhuma oportunidade perdida, mais venda. Num olhar rápido, faz sentido. Mas na maioria das empresas de médio porte a conta não fecha desse jeito, e o lugar onde ela não fecha é a margem.

O erro que se disfarça de ambição

Muita empresa confunde duas coisas que parecem iguais e não são. Uma é "todo mundo pode comprar de mim". A outra é "preciso falar com todo mundo da mesma forma". A primeira descreve a porta aberta, e não tem problema nenhum nela. O erro mora na segunda.

No momento em que a marca tenta falar com todo perfil ao mesmo tempo, a promessa se estica até não significar nada para ninguém. Para não excluir, a comunicação arredonda tudo. O tom fica morno para não assustar. A mensagem fica ampla para servir a qualquer um. No esforço de funcionar para todos, a marca deixa de ser marcante para alguém.

Marca genérica perde no lugar mais caro: o preço. Quando a sua promessa poderia ser dita por qualquer concorrente, o cliente não tem como decidir por outra coisa além de número. Você passa a competir por leilão, e no leilão quem decide é a tabela.

O custo não chega de uma vez. Chega no desconto que você dá sem perceber, na proposta que vira disputa de centavos, na renovação que só fecha com abatimento. É fácil achar que o problema está na negociação. O problema está no posicionamento. A negociação só revela uma escolha de marca que foi feita lá atrás, quando a empresa decidiu falar com todo mundo.

É por isso que posicionamento de marca é assunto financeiro antes de ser assunto de comunicação. Ele decide a sua capacidade de sustentar preço.

O que o posicionamento de marca realmente decide

Posicionamento de marca é a posição que a sua empresa ocupa na cabeça de um público específico. O conceito vem do trabalho de Philip Kotler, que o define como a ação de projetar a imagem da empresa para ocupar um lugar diferenciado na escolha do público-alvo.

Na prática, posicionar é responder a uma pergunta antes de qualquer campanha: para quem você é a escolha certa? Marca que sabe responder isso fala mais alto. Não porque grita, mas porque finalmente diz algo que uma pessoa específica reconhece como dela. Esse reconhecimento é o que tira você do leilão. Quando alguém sente que a marca foi feita para ele, para de comparar preço e começa a comparar encaixe. E encaixe não cabe numa tabela.

Como escolher com quem falar sem perder mercado

Escolher um público assusta porque parece abrir mão de oportunidade. Na prática, foco não fecha portas. Ele decide quais portas valem a sua voz. Você troca um monte de gente que quase comprou por um grupo menor que compra, indica e volta.

Antes da próxima campanha, faça um teste com a sua comunicação. A pergunta não é "quem pode querer isso?". É "quem mais poderia dizer isso?". Se metade da sua categoria assina a mesma frase que você, a sua promessa não tem dono. E marca sem dono compete só no preço.

Definir o público-alvo costuma ser tratado como tarefa de marketing, mas é decisão de negócio. Ela determina onde você investe verba, qual margem consegue praticar e quanto a sua marca pesa na hora da venda. Escolher um nicho de mercado ou um segmento específico não reduz o seu faturamento por si só. Reduz o desperdício de falar com quem nunca ia comprar.

Então todo mundo pode ser seu cliente?

Pode. A porta continua aberta. Só não tente ser a escolha de todo mundo ao mesmo tempo, porque é aí que você deixa de ser a escolha de alguém. Público amplo é consequência de marca forte, e não desculpa para marca fraca.

Perguntas frequentes

O que é posicionamento de marca?

Posicionamento de marca é o lugar que uma empresa ocupa na mente de um público específico e a forma como ela se diferencia dos concorrentes. Ele define a percepção que o cliente tem da marca e influencia diretamente quanto ela consegue cobrar.

Querer atender todo mundo é sempre um erro?

Não em todos os casos. Existem produtos de massa, voltados para um público amplo por natureza. O erro é tratar a sua marca como produto de massa por receio de escolher um público, esticando a comunicação até ela perder nitidez.

Como definir o público-alvo sem perder oportunidades?

Comece pelas pessoas que mais valor enxergam no que você faz, e construa a comunicação para elas. Falar com clareza para um grupo específico costuma atrair também quem está na borda dele, sem o custo de diluir a mensagem.

Escolher um nicho reduz o faturamento?

Não necessariamente. Foco reduz o esforço gasto com quem nunca ia comprar e tende a aumentar a margem, porque uma marca reconhecida por um público específico compete menos por preço.

Posicionamento de marca tem a ver com preço?

Tem relação direta. Quanto mais clara é a posição da marca e mais específico o público que ela atende, menor a pressão para competir por preço, porque o cliente passa a comparar encaixe em vez de tabela.

Decidir com quem a sua marca fala é a base de todo o resto. Na Setesete, esse é o ponto de partida do trabalho de Branding. Se a sua margem anda apertada e a venda vive virando disputa de preço, vale começar por aqui.

Sobre o autor

Pablo Fedatto

Sócio-fundador da Setesete

Sócio-fundador da Setesete. Lidera projetos de branding, posicionamento e estratégia de marca para empresas que querem deixar de ser commodity.

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